Eram 8 horas de uma fria noite de inverno. O vento assobiava como quando um lobo uiva hipnotizado pela lua cheia. Além deste, não havia nenhum outro ruído ou calor naquela noite escura.
Lúcio olhava para o telefone o tempo todo. Não conseguia se concentrar em outra atividade, a não ser esperar aquele aparelho tocar. Onde estava Polyana que ainda não ligou? Perguntava-se. Ele esperara aquela ligação o dia todo, a noite já havia chegado, e nada, nenhum sinal dela. Tinha prometido a si mesmo não ligar naquele dia, queria que Polyana cumprisse com sua palavra. Estava cansado de sempre tomar a iniciativa, e como ela disse um convincente “eu te ligo amanhã”, ele estava decidido a esperar. Teimoso Lúcio, que quando deixava o orgulho falar mais alto, não existia quem o fizesse mudar de ideia.
Porém, naquela noite, a inquietude tomava conta de seu ser. A ansiedade e apreensão provocavam ainda mais a angústia que sentia em seu peito, como um nó de gravata apertado que impede a respiração de fluir serenamente.
Neste instante, Lúcio ouve apenas sua imaginação. Começa a formar todo tipo de possíveis motivos para a ausência de Polyana. Primeiramente busca uma desculpa com base na razão: roubaram o telefone dela? Acabou a bateria? Surgiu um compromisso imprevisto e não pôde me avisar? Ou quem sabe é meu próprio telefone que está com problemas?
Como não consegue respostas para nenhuma das indagações, Lúcio dá lugar ao lado sentimental e se apavora! Talvez ela não gostasse dele, não o valorizasse, ou estivesse magoada com algo. E assim começou a relembrar os momentos que passaram juntos, todas as palavras, todos os gestos e mesmo assim, não encontrava o porquê.
Pobre Lúcio... Começava a criar frases que, sem dúvida, esbravejaria nos ouvidos dela, assim que fosse possível, pois já se sentia preterido. Levantou-se da cadeira e deixou ser levado por suas pernas. Não tinha mais forças para esperar, queria sair correndo, gritar! Qualquer coisa que não o fizesse pensar no pior.
Olhou pela janela, caia uma fria chuva lá fora. Sentiu que seu coração também se esfriava a medida que cada sutil gota de água repousava no chão espelhado. Achou que enlouquecera, visto que começara a acreditar, erroneamente, que o telefone tocava. E finalmente chegou a tão temerosa conclusão, aquela da qual ele vinha se esforçando para não admitir: como era perdidamente apaixonado por Polyana, a ponto de não ser possível tê-la distante. A clareza com que enxergava essa nova circunstância não o ajudava a aliviar a expectativa em saber notícias dela.
E neste exato momento seu coração disparou! Era o telefone que, a essa altura, mais parecia tocar uma música que o invocava à felicidade.
- Alô. Se esforçava para que o tom de seu voz parecesse natural. No entanto, os mais atentos sentiriam um leve tremor.
- Oi Lúcio! Desculpa por não ligar antes, mas surgiu um imprevisto e só pude ligar agora. Conto tudo depois. Podemos tomar um café?
- Ah, claro! Não se preocupe com isso, eu também estive ocupado. A que horas posso te buscar?
Feliz Lúcio.. que nem se dá conta de quão fugazes são seus sentimentos..
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5 comentários:
Que lindo Sá!
Parabéns! Continue assim que vc vai longe! Beijos
chique nas ficções, jones!!
Ei Filha Bruxa, gostei de seu conto!
Quantas vezes esta história não aconteceu conosco?
Um beijo, saudades e obrigada por tantas palavras carinhosas no TP. Eu sinto saudades de você!
mandei um convite para seu email sa superpoderosa do Yahoo!
Beijos!
ººº
Passei e gostei...
Voltarei
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