quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fugacidade...

Eram 8 horas de uma fria noite de inverno. O vento assobiava como quando um lobo uiva hipnotizado pela lua cheia. Além deste, não havia nenhum outro ruído ou calor naquela noite escura.
Lúcio olhava para o telefone o tempo todo. Não conseguia se concentrar em outra atividade, a não ser esperar aquele aparelho tocar. Onde estava Polyana que ainda não ligou? Perguntava-se. Ele esperara aquela ligação o dia todo, a noite já havia chegado, e nada, nenhum sinal dela. Tinha prometido a si mesmo não ligar naquele dia, queria que Polyana cumprisse com sua palavra. Estava cansado de sempre tomar a iniciativa, e como ela disse um convincente “eu te ligo amanhã”, ele estava decidido a esperar. Teimoso Lúcio, que quando deixava o orgulho falar mais alto, não existia quem o fizesse mudar de ideia.

Porém, naquela noite, a inquietude tomava conta de seu ser. A ansiedade e apreensão provocavam ainda mais a angústia que sentia em seu peito, como um nó de gravata apertado que impede a respiração de fluir serenamente.
Neste instante, Lúcio ouve apenas sua imaginação. Começa a formar todo tipo de possíveis motivos para a ausência de Polyana. Primeiramente busca uma desculpa com base na razão: roubaram o telefone dela? Acabou a bateria? Surgiu um compromisso imprevisto e não pôde me avisar? Ou quem sabe é meu próprio telefone que está com problemas?

Como não consegue respostas para nenhuma das indagações, Lúcio dá lugar ao lado sentimental e se apavora! Talvez ela não gostasse dele, não o valorizasse, ou estivesse magoada com algo. E assim começou a relembrar os momentos que passaram juntos, todas as palavras, todos os gestos e mesmo assim, não encontrava o porquê.
Pobre Lúcio... Começava a criar frases que, sem dúvida, esbravejaria nos ouvidos dela, assim que fosse possível, pois já se sentia preterido. Levantou-se da cadeira e deixou ser levado por suas pernas. Não tinha mais forças para esperar, queria sair correndo, gritar! Qualquer coisa que não o fizesse pensar no pior.

Olhou pela janela, caia uma fria chuva lá fora. Sentiu que seu coração também se esfriava a medida que cada sutil gota de água repousava no chão espelhado. Achou que enlouquecera, visto que começara a acreditar, erroneamente, que o telefone tocava. E finalmente chegou a tão temerosa conclusão, aquela da qual ele vinha se esforçando para não admitir: como era perdidamente apaixonado por Polyana, a ponto de não ser possível tê-la distante. A clareza com que enxergava essa nova circunstância não o ajudava a aliviar a expectativa em saber notícias dela.
E neste exato momento seu coração disparou! Era o telefone que, a essa altura, mais parecia tocar uma música que o invocava à felicidade.
- Alô. Se esforçava para que o tom de seu voz parecesse natural. No entanto, os mais atentos sentiriam um leve tremor.
- Oi Lúcio! Desculpa por não ligar antes, mas surgiu um imprevisto e só pude ligar agora. Conto tudo depois. Podemos tomar um café?
- Ah, claro! Não se preocupe com isso, eu também estive ocupado. A que horas posso te buscar?

Feliz Lúcio.. que nem se dá conta de quão fugazes são seus sentimentos..

5 comentários:

Fer disse...

Que lindo Sá!
Parabéns! Continue assim que vc vai longe! Beijos

marina aranha disse...

chique nas ficções, jones!!

Claudinha ੴ disse...

Ei Filha Bruxa, gostei de seu conto!
Quantas vezes esta história não aconteceu conosco?
Um beijo, saudades e obrigada por tantas palavras carinhosas no TP. Eu sinto saudades de você!

Claudinha ੴ disse...

mandei um convite para seu email sa superpoderosa do Yahoo!

Beijos!

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Passei e gostei...

Voltarei